domingo, 15 de janeiro de 2017

Aprendizagem ao Longo da Vida: Globalização e Mudança Educacional

Os desafios que se colocam aos sistemas educativos na União Europeia são, na generalidade, semelhantes. Umas das inquietações mais comuns é a melhoria da qualidade do ensino e, naturalmente, das aprendizagens ao longo da vida, desde o pré-escolar à idade pós-reforma.
Como medida fundamental de resposta europeia à globalização e à transição para economias baseadas no conhecimento, foram definidas novas competências de base a adquirir ao longo da vida, dando relevância ao capital humano, devendo a educação ter na sua agenda uma "reforma sistémica visando padrões mais desafiadores aliados a uma funcionamento mais flexível da escola" (Estêvão, 2002, p. 11). conceito de Aprendizagem ao Longo da Vida (ALV) foi definido, pela Comissão Europeia,  como “toda e qualquer atividade de aprendizagem, com um objetivo, empreendida numa base contínua e visando melhorar conhecimentos, aptidões e competências”. 
Das considerações explanadas pelo Estados-membros (Decisão 2006/1720/CE do Parlamento Europeu e do Conselho de 15 de novembro de 2006), fiz um paralelismo do (pouco) que conheço que foi sucedendo em Portugal. Sobre a definição de objetivos específicos destinados a:
i)               promover a aprendizagens das línguas. Em Portugal, vimos a introdução, obrigatória, da língua inglesa a partir do 5.º ano e, recentemente, a partir do 3.º ano de escolaridade do 1.º ciclo do ensino básico, tendo em vista os níveis desejáveis a atingir do Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas.
ii)         desenvolver o espírito empresarial. Nos últimos anos, difundiram-se várias iniciativas de empreendedorismo no ensino básico e secundário, articulando com as empresas/ fundações, como por exemplo, o caso do projeto “Ter Ideias para Mudar o Mundo”, da Fundação Coração Delta, com bons exemplos e partilhas de boas práticas na educação pré-escolar.
iii)            Reforçar a dimensão Europeia na Educação. Um exemplo são os programas Erasmus, Comenius, Leonardo da Vinci e Grundtvig e, desde 2014, o programa Erasmus+ desdobrado em diversas ações-chave. Sobre este ponto, da minha experiência pessoal, em Comenius e em Erasmus + das várias mobilidades que fiz ao longo dos últimos anos, o nosso comportamento e as nossas ações alteram-se e enriquecem-nos de modo imensurável, após experiências de partilha nesta “aldeia global”, desenvolvemo-nos como professores/ alunos mas também como pessoas. Saímos sempre mais ricos destas experiências. O programa pretende, entre outros objetivos, elaborar, promover e divulgar as melhores práticas no domínio da educação, incluindo novos métodos ou materiais didáticos.
iv)            A importância de as pessoas serem capazes de se adaptar à mudança vs a importância da inserção das pessoas no mercado de trabalho e o papel-chave desempenhado pela aprendizagem ao longo da vida, que se cruza com a discrepância significativa, apontada na recomendação, entre os níveis de educação exigidos pelos novos empregos e os que são atingidos pela mão-de-obra europeia. Como vimos em filmes disponibilizados no tópico anterior (https://youtu.be/Ax5cNlutAys), estamos a ensinar os nossos alunos para muitos empregos que ainda não existem, mas, por vezes, com taxas de insucesso bastante altas. Como refere a publicação livro branco sobre a educação e a formação “as tecnologias da informação transformaram a natureza do trabalho e a organização da produção. Estas mutações estão a alterar profundamente a sociedade, no entanto, a escola não consegue fazer aprender os públicos atuais porque insiste em aplicar um modelo de funcionamento arcaico, mas o insucesso deles é, de facto, o insucesso das instituições (Gaspar & Roldão, 2005). 

Biblioteca Infoeuropa - Registo bibliográfico - Livro Branco sobre a Educação e formação : ensinar e aprender : rumo à sociedade cognitiva. (sem data). Obtido 8 de Janeiro de 2017, de https://infoeuropa.eurocid.pt/registo/000037230
Decisão 2006/1720/CE do Parlamento Europeu e do Conselho de 15 de novembro de 2006. Jornal Oficial de 24 de novembro de 2006.
Estêvão, C. V. (2002). Globalização, Metáforas Organizacionais e Mudança Educacional: Dilemas e Desafios (1.a edição). Porto: Edições Asa.
Gaspar, M., & Roldão, M. (2005). Processo do desenvolvimento curricular em situação. Em Elementos do Desenvolvimento Curricular. Universidade Aberta.