A emergência
das tecnologias digitais oferece uma oportunidade para desenvolvimento de novas
práticas colaborativas, no entanto, se não for assente numa comunidade de
prática, esta não emerge. Existem ainda profissionais estagnados nas crenças
que têm deles próprios, fruto do isolamento e falta de supervisão e avaliação.
As atuais políticas evidenciam requisitos indispensáveis aos professores e às
escolas: formação permanente, que consideramos fundamental, sobretudo quando
falamos de tecnologia e inovação; atenção à pluralidade social dos alunos, para
uma verdadeira valorização e coesão social; trabalho colaborativo; e
disponibilidade para um conjunto de relações com o exterior anteriormente
vedadas e confinadas à escola. São estas relações com o exterior e as práticas
colaborativas que consideramos que, se não forem genuínas, provocarão, num
futuro próximo, um desgaste na geração de professores ao serviço.
O
reconhecimento e a valorização dos professores voltaram aos recentes discursos
do Ministério da Educação e temos a crença que são denominadores
imprescindíveis para um ensino de qualidade associados àquilo que Day (2004)
denomina de a paixão pelo ensino.
As
agendas europeias têm colocado às escolas e aos professores desafios exigentes
e que implicam competências profissionais, com influência no trabalho do
professor, no desenvolvimento profissional e na carreira docente. Os países
desenvolvidos buscam modelos de mudança, articulando pertinência e eficácia,
democracia política e participação das pessoas envolvidas (Perrenoud, 2004).
As elevadas expectativas em relação a um ensino de
qualidade capaz de formar jovens ativos requerem uma elevada qualificação por
parte dos professores (Day, 2001), necessariamente, complementada por uma
‘dose’ considerável de motivação profissional que atravesse a carreira docente.
O Conselho Nacional de Educação (Parecer n.º 5/2016) influi a atenção para as
práticas e a qualidade dos professores, bem como as menores taxas de retenção;
a mobilização de recursos para a ação educativa; a mediação familiar com os
pais mais afastados da gramática escolar e de contextos socioeconómicos mais
desfavorecidos.
Não há
dúvida que devemos, ligado às práticas e à qualidade de ensino, repensar na
formação dos professores em exercício de funções, valorizá-la e partilhá-la.
Day (2001) refere que da mesma forma que as condições da sala de aula
influenciam a capacidade dos professores na melhoria das aprendizagens dos
alunos, também a cultura escolar circunscreve um apoio positivo ou negativo
para a aprendizagem dos seus professores.