Hoje, na minha opinião, temos melhores escolas, professores profissionalizados e famílias mais motivadas para a participação na escola. Falta agora dar o salto... Repensar sobre os currículos e as metodologias invertendo a tradição de empilhamento de conteúdos, sem oportunidade de mobilizar o conhecimento.
Temos necessidade de repensar a matriz tradicional de ensino, as práticas e as aprendizagens e incrementar uma cultura de colaboração, de partilha, de rede (Peres, 2015). O atual sistema foi concebido e projectado para uma época diferente (Robinson, K.), está obsoleto e tem de ser substituído (Toffler, A).
A educação serviu, durante muito tempo, apenas para originar emprego e tonificar a economia. Hoje está para além disso. Sem a mobilização de conhecimentos para uma cidadania ativa, não se dá uma resposta concreta aos objetivos para o desenvolvimento sustentável aprovados pelas Nações Unidas (Costa, 2016).
Gaspar, I. (2005) refere três pontos fraquezas do sistema educativo:
- mudanças parcelares do sistema educativo;
- diminuição do nível de exigência e não clarificação dos perfis de formação à saída dos diferentes patamares do sistema educativo. Veja-se a ausência de referencial para a escolaridade obrigatória de 12 anos em Portugal;
- o "divórcio" entre sistema educativo e outros sistemas, por ex. o económico, com relevo para o mercado de trabalho. Se "cada sistema viver exclusivamente em torno de si próprio, ele está condenado ao fracasso e contribui para o enfraquecimento da sociedade" (Gaspar, 2005: 356).
A tecnologia pode dar um grande contributo na mudança de paradigma educacional, não no sentido de substituir o reprojetor pelo quadro interativo na sala de aula, mas para alterar a forma como se pensa a educação. Caminhar para um sistema de blended learning ou presencial tutorado e orientado pelo professor, com práticas inovadoras de interação entre pares e entre professor aluno, parecem-me que podem ser o conjunto-solução apropriado para os atuais alunos da escola. Falta saber se são para os professores...
A tecnologia não é o único denominador nesta equação pois para "maximizar os benefícios da inovação tecnológica importa alterar a forma como se pensa a educação" (Peres, 2005:8).
Partilho, das minhas leituras, o sistema de blended learling "Flipped Classroom" apresentado no livro por Monteiro, A; Moreira, J.A.; e Lencastre, J.A (2015), que inverte os momentos tradicionais de aquisição e aplicação de conhecimentos, que passo a resumir: 1 -os estudantes estudam os conceitos teóricos e têm o seu acesso à distância (vídeos, podcasts, textos...); 2 - realizam exercícios e aplicações práticas na sala de aula e 3- consolidam e expandem os conhecimentos num momento posterior, não presencial. As vantagens apontadas do seu uso são que os estudantes apreendem mais profundamente os conceitos, são mais ativos na aprendizagem, constroem o seu conhecimento, aumentam as oportunidades de interação, trabalham juntos sob orientação do professor e recebem mais feedback.
Gaspar, I. (2005). Sistemas educativos : princípios orientadores. Universidade Aberta. Obtido de http://repositorioaberto.uab.pt/handle/10400.2/369
JMRRF. (sem data). Alvin e Heidi Toffler criticam o Sistema Educativo. Obtido de https://www.youtube.com/watch?v=__ejlrSeLbM
Monteiro, A., Moreira, J. A., & Lencastre, J. A. (2015). Blended (e)Learning na Sociedade Digital. Wh!te Books.
Veronica Vera. (sem data). Ken Robinson: Changing Paradigms (Spanish). Obtido de https://www.youtube.com/watch?v=Z78aaeJR8no