quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Falência dos Sistemas Educativos

Hoje, na minha opinião, temos melhores escolas, professores profissionalizados e famílias mais motivadas para a participação na escola. Falta agora dar o salto... Repensar sobre os currículos e as metodologias invertendo a tradição de empilhamento de conteúdos, sem oportunidade de mobilizar o conhecimento.  
Temos necessidade de repensar a matriz tradicional de ensino, as práticas e as aprendizagens e incrementar uma cultura de colaboração, de partilha, de rede (Peres, 2015). O atual sistema foi concebido e projectado para uma época diferente (Robinson, K.), está obsoleto e tem de ser substituído (Toffler, A). 
A educação serviu, durante muito tempo, apenas para originar emprego e tonificar a economia. Hoje está para além disso. Sem a mobilização de conhecimentos para uma cidadania ativa, não se dá uma resposta concreta aos objetivos para o desenvolvimento sustentável aprovados pelas Nações Unidas (Costa, 2016).
Gaspar, I. (2005) refere três pontos fraquezas do sistema educativo:
- mudanças parcelares do sistema educativo;
- diminuição do nível de exigência e não clarificação dos perfis de formação à saída dos diferentes patamares do sistema educativo. Veja-se a ausência de referencial para a escolaridade obrigatória de 12 anos em Portugal;
- o "divórcio" entre sistema educativo e outros sistemas, por ex. o económico, com relevo para o mercado de trabalho. Se "cada sistema viver exclusivamente em torno de si próprio, ele está condenado ao fracasso e contribui para o enfraquecimento da sociedade" (Gaspar, 2005: 356).
A tecnologia pode dar um grande contributo na mudança de paradigma educacional, não no sentido de substituir o reprojetor pelo quadro interativo na sala de aula, mas para alterar a forma como se pensa a educação. Caminhar para um sistema de blended learning ou presencial tutorado e orientado pelo professor, com práticas inovadoras de interação entre pares e entre professor aluno, parecem-me que podem ser o conjunto-solução apropriado para os atuais alunos da escola. Falta saber se são para os professores... 
A tecnologia não é o único denominador nesta equação pois para "maximizar os benefícios da inovação tecnológica importa alterar a forma como se pensa a educação" (Peres, 2005:8). 
Partilho, das minhas leituras, o sistema de blended learling "Flipped Classroom" apresentado no livro por Monteiro, A; Moreira, J.A.; e Lencastre, J.A (2015), que inverte os momentos tradicionais de aquisição e aplicação de conhecimentos, que passo a resumir: 1 -os estudantes estudam os conceitos teóricos e têm o seu acesso à distância (vídeos, podcasts, textos...); 2 - realizam exercícios e aplicações práticas na sala de aula e 3- consolidam e expandem os conhecimentos num momento posterior, não presencial. As vantagens apontadas do seu uso são que os estudantes apreendem mais profundamente os conceitos, são mais ativos na aprendizagem, constroem o seu conhecimento, aumentam as oportunidades de interação, trabalham juntos sob orientação do professor e recebem mais feedback.
Gaspar, I. (2005). Sistemas educativos : princípios orientadores. Universidade Aberta. Obtido de    http://repositorioaberto.uab.pt/handle/10400.2/369
JMRRF. (sem data). Alvin e Heidi Toffler criticam o Sistema Educativo. Obtido de https://www.youtube.com/watch?v=__ejlrSeLbM
Monteiro, A., Moreira, J. A., & Lencastre, J. A. (2015). Blended (e)Learning na Sociedade Digital. Wh!te Books.
Veronica Vera. (sem data). Ken Robinson: Changing Paradigms (Spanish). Obtido de https://www.youtube.com/watch?v=Z78aaeJR8no

domingo, 20 de novembro de 2016

Mutações Sociais e Sistemas Educativos


O desafio atual é preparar as pessoas para a inovação inerente ao progresso tecnológico, para evoluírem e adaptarem-se à constante mudança. Evoluir no sentido de “privilegiar mais a imaginação, a criatividade, a comunicação, o trabalho em equipa” (Ramos, 2007) e as capacidades dos alunos para dentro da escola, “estabelecendo ligação entre as matérias ensinadas e a vida quotidiana dos alunos” (Delors, 2006).
As escolas deveriam aproveitar a diversidade a que está sujeita e torná-la “num factor positivo de coesão e compreensão mútua entre os vários agentes envolvidos no processo educacional” (Ramos, 2007). Dá-se demasiada importância ao conhecimento abstrato, que leva o aluno a descartar o conhecimento passados uns dias, sendo vítimas do empilhamento de conteúdos, que o currículo atual propicia.
A escola atual tem vindo a promover a competição e individualismo. Veja-se a competição pouco saudável para a entrada em determinados cursos de ensino superior.
O professor é “aquele que ajuda os seus alunos a encontrar, organizar e gerir o saber”, para que, mais tarde, os alunos sejam “capazes de prever e adaptar-se às mudanças, continuando a aprender ao longo da vida” (Delors, 2006).
Os preditores de insucesso escolar exigem hoje mais do professor. É urgente libertar os professores de tarefas administrativas que, nalguns casos, parece tratar-se de autoflagelação ou refúgio por parte das lideranças. Canalizar esse esforço naquilo que realmente importa, que é a sala de aula, parece-me urgente. Relacionar o impato dos projetos e como se relacionam com o currículo é outro aspecto relevante a ter em consideração para se caminhar para uma (possível) mudança de práticas. Para melhorar a sala de aula, a escolas devem promover a formação aos/entre professores, de modo a alargar o espectro de conhecimentos, e desenvolverem-se profissionalmente, numa comunidade de aprendizagem.

"Temos um sistema de ensino do século XIX, ministrado por professores do século XX e frequentado por alunos do século XXI" (Fernandes, 2016)
 
Delors, J., et al. (2006) Educação, um tesouro a descobrir: relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre educação para o século XXI. 10.º Edição. São Paulo/Brasília: Cortez/MEC/UNESCO.
Fernandes, J.M. (2016, 19 de outubro). Sistema de ensino está obsoleto e modelo de docência já não serve. Jornal Diário do Minho, p.5.
Ramos, C. (2007). Aspetos contextuais dos Sistemas Educativos. Lisboa: Universidade Aberta.