domingo, 20 de novembro de 2016

Mutações Sociais e Sistemas Educativos


O desafio atual é preparar as pessoas para a inovação inerente ao progresso tecnológico, para evoluírem e adaptarem-se à constante mudança. Evoluir no sentido de “privilegiar mais a imaginação, a criatividade, a comunicação, o trabalho em equipa” (Ramos, 2007) e as capacidades dos alunos para dentro da escola, “estabelecendo ligação entre as matérias ensinadas e a vida quotidiana dos alunos” (Delors, 2006).
As escolas deveriam aproveitar a diversidade a que está sujeita e torná-la “num factor positivo de coesão e compreensão mútua entre os vários agentes envolvidos no processo educacional” (Ramos, 2007). Dá-se demasiada importância ao conhecimento abstrato, que leva o aluno a descartar o conhecimento passados uns dias, sendo vítimas do empilhamento de conteúdos, que o currículo atual propicia.
A escola atual tem vindo a promover a competição e individualismo. Veja-se a competição pouco saudável para a entrada em determinados cursos de ensino superior.
O professor é “aquele que ajuda os seus alunos a encontrar, organizar e gerir o saber”, para que, mais tarde, os alunos sejam “capazes de prever e adaptar-se às mudanças, continuando a aprender ao longo da vida” (Delors, 2006).
Os preditores de insucesso escolar exigem hoje mais do professor. É urgente libertar os professores de tarefas administrativas que, nalguns casos, parece tratar-se de autoflagelação ou refúgio por parte das lideranças. Canalizar esse esforço naquilo que realmente importa, que é a sala de aula, parece-me urgente. Relacionar o impato dos projetos e como se relacionam com o currículo é outro aspecto relevante a ter em consideração para se caminhar para uma (possível) mudança de práticas. Para melhorar a sala de aula, a escolas devem promover a formação aos/entre professores, de modo a alargar o espectro de conhecimentos, e desenvolverem-se profissionalmente, numa comunidade de aprendizagem.

"Temos um sistema de ensino do século XIX, ministrado por professores do século XX e frequentado por alunos do século XXI" (Fernandes, 2016)
 
Delors, J., et al. (2006) Educação, um tesouro a descobrir: relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre educação para o século XXI. 10.º Edição. São Paulo/Brasília: Cortez/MEC/UNESCO.
Fernandes, J.M. (2016, 19 de outubro). Sistema de ensino está obsoleto e modelo de docência já não serve. Jornal Diário do Minho, p.5.
Ramos, C. (2007). Aspetos contextuais dos Sistemas Educativos. Lisboa: Universidade Aberta.

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